Histórico

A história considerada recente da Educação a Distância (EAD) na UFBA deu-se a partir da década de 90, sendo que o projeto mais relevante após a formalização desta modalidade (Lei 9.394/96), foi a constituição do Núcleo de Avaliação Educacional - NAVE, em 1998, pelo Centro de Estudos Interdisciplinares para o Setor Público – ISP. Desde então, a UFBA vem produzindo conhecimento sobre EAD e desenvolvendo experiências com essa modalidade de educação, as quais, embora isoladas, permitem identificar uma capacidade instalada para implementação de uma política institucional de inserção da Universidade no uso de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em  empreendimentos educacionais.

Em 1999, teve início o projeto institucional UFBANET, que previa a construção de um novo modelo educacional de informatização do ensino e a adoção de práticas de EAD como objetivo de desenvolver e implantar um ambiente de apoio a atividades a distância.

No ano de 2001, o NAVE/ISP passou a ser responsável pela implantação e coordenação do Polo de Avaliação da Universidade Virtual Pública do Brasil – UniRede, de acordo com convênio firmado junto ao Ministério da Educação e o da Ciência e Tecnologia. Como parte de suas atribuições estava a avaliação dos cursos superiores a distância, os quais eram ofertados através da UniRede (ARAÚJO; VERHINE, 2005, p. 134 in ARAÚJO; FREITAS, 2005, apud Souza, 2014).

Em 2002, também coube ao NAVE/ISP prospectar, de modo pioneiro, as iniciativas em educação a distância existentes na Bahia, com ênfase para as licenciaturas. O mapeamento, encomendado pela própria UFBA, desenvolveu-se através da oficina “A troca de experiências do ensino superior à distância”, realizada em abril do ano em questão (ARAÚJO; VERHINE, 2005, p. 143 in ARAÚJO; FREITAS, 2005, apud Souza 2014).

Em suas peças de gestão, mais precisamente no Plano de Desenvolvimento Institucional - PDI vigente (quinquênio 2012 – 2015), consta que, desde 2002 (período da participação do NAVE/ISP na UniRede) a UFBA acredita na imprescindibilidade da educação a distância para “aumentar as oportunidades de inclusão dos amplos segmentos da população que tem dificuldade de acesso a níveis mais avançados de educação [...].” (UFBA, 2013, p. 31). Deste modo, as ações em EAD fogem do caráter da regularidade e se mostram enquanto medidas excepcionais, a atender uma demanda historicamente reprimida e de uma população socialmente vulnerável, a qual se encontrava, até então, afastada do ensino superior.

Entretanto, a oportunidade de expressar formalmente essa definição ocorreu em 2004, quando foi formulado o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da UFBA, para o período de 2004-2008. Nesse plano, estabelece-se como a missão da UFBA:

... produzir, socializar e aplicar o conhecimento nos diversos campos do saber, através do ensino, da pesquisa e da extensão, indissociavelmente articulados, de modo a contribuir para o desenvolvimento social e econômico do País e do estado da Bahia e promover a formação de profissionais qualificados para o mundo do trabalho e capazes de atuar na construção da justiça social e da cidadania.

Em 2005, a partir do Seminário “EAD na UFBA: troca de experiências”, realizado pelo Programa de Formação Continuada de Gestores da Educação (PROGED) articularam-se, de modo estratégico, iniciativas visando à institucionalização desta modalidade de ensino na referida universidade. Em paralelo às ações do NAVE, um número considerável de iniciativas em EAD foi desenvolvido em várias unidades da UFBA, com destaque para o projeto “Sala de aula de EAD”, da FACOM; a introdução de componente curricular a distância, na graduação da Escola de Administração; as experiências realizadas no âmbito da FACED, nas áreas de ensino, pesquisa e a sua “Biblioteca virtual”. (VERHINE, 2005, p. 7 in ARAÚJO; FREITAS, 2005).

O credenciamento da UFBA em 2006 para a oferta de cursos regulares a distância, de graduação, de pós-graduação e de extensão, consolida, na instituição, uma vocação refletida no interesse de inúmeros grupos acadêmicos. Este cenário estava presente na existência de grande número de ações, programas, projetos e eventos sobre esse tema, bem como na produção científica sobre essa modalidade de educação. As ações já empreendidas refletem o esforço da Universidade para a sistematização da oferta de EAD como forma de promover a expansão quantitativa de matrículas, com atenção especial para o padrão de qualidade dos cursos. Considera-se que essas ações também constituem indicadores de decisão e compromisso de diversas instâncias institucionais, o que é fundamental para o sucesso de uma política institucional de desenvolvimento de EAD.

Apesar dessas iniciativas, a UFBA começou a trilhar o caminho da EAD, em direção à institucionalização, a partir da Portaria 187/2006 que constitui a Comissão Institucional de Educação a Distância (CEAD) na UFBA, definindo suas atribuições, dentre as quais as de viabilizar a instalação de um Núcleo institucionalizado de EAD.

Com o advento da Universidade Aberta (UAB), a UFBA integrou-se a esse sistema a partir de 2006, quando, atendendo à primeira chamada pública do Edital nº 1 (12/2005 – 05/2006) do Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB, da Secretaria de Educação à Distância – SEED/MEC, o Instituto de Matemática da UFBA enviou o Projeto do Curso de Licenciatura em Matemática a Distância, o qual através da Resolução nº 03/2008 estabeleceu normas para o funcionamento do curso de Licenciatura em Matemática a Distância do Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB, sendo que o primeiro semestre letivo do curso teve início em 20/04/2009. Em 2006, foi criada na UFBA a coordenação da UAB para atuar nas articulações triangulares entre os municípios, a universidade e o próprio Ministério.

Os primeiros recursos financeiros recebidos da UAB foram utilizados para consolidar e melhorar o funcionamento da Plataforma Moodle, indispensável para o ensino na modalidade à distância, e na capacitação da primeira equipe que iria atuar no curso de matemática (professores, tutores e coordenação).

Apesar dos esforços iniciais, enfatize-se que é diminuta a dimensão da educação a distância na UFBA, reduzida ao já citado curso de graduação em matemática e a alguns cursos de pós-graduação lato sensu. Essa situação coloca a UFBA em franca desvantagem em relação a outras IFEs no país e também em relação a outras instituições universitárias na Bahia.

A Universidade deu início a seus primeiros projetos na área da Informática na Educação na década de 1970, por meio do Laboratório de Estudos Cognitivos – LEC, que realizava estudos que buscavam especificar as relações entre o sujeito e os novos recursos tecnológicos. Desde então, vem investindo em pesquisas, articulando o uso do computador e de redes na educação, especificamente no processo de ensino-aprendizagem e investigando os processos cognitivos dos estudantes em situações de aprendizagem que fazem uso de interações com o computador.